O FIM DA BLOGOSFERA. AH VÁ, É MESMO?

por FLAVIO LAMENZA | 16 agosto 2011

Para onde rema o barco brasileiro cheio de blogueiros no mar das transformações e adaptações da blogosfera? É um barco só, bem grande e preparado (não pode faltar comida e cerveja!) pra aguentar o peso de todos os blogueiros, ou são vários barquinhos, cada um do seu jeito, remando por conta própria da maneira que bem entendem?

Faço essas perguntas porque o Nick Denton − craque dos blogs e dono de uma rede invejável de blogs/sites capaz de render milhões de dólares em um mês chamada Gawker Media − anunciou o fim da blogosfera nos Estados Unidos.

A blogosfera terá um fim? Acho que primeiro temos de analisar friamente o que é um blog: é somente um site capaz de organizar cronologicamente o conteúdo de que você gosta, de uma forma bem rápida e fácil para que todos tenham acesso. Só isso… Não é uma instituição cheia de regras, não é um modelo de negócios, não é nada mais além de outro site.

Já a blogosfera foi só um nome carinhoso, coisa de ser humano, para suprir nossa necessidade de fazer parte de um grupo. O blog vai sempre, SEMPRE existir, seja lá como for, desde todo rosa, cheio de purpurina pra falar da filha da sua amiga que acabou de nascer, ou laranja, todo bem configurado e recheado de piadas ácidas, com é o Kibeloco, que vive e ganha muito dinheiro desse mesmo formato de site, chamado blog.

Mas e os blogueiros? São jornalistas? São publicitários? São redatores? São pessoas. Uns são engraçados, outros são polêmicos… E por aí vai. E, se o formato “blog” não tem data pra acabar, por que a blogosfera haveria de ter?

Flavio Lamenza, 28 anos, é editor do Chongas.com.br, publicitário e internet evangelist (palavra da moda). Corta o cabelo bem curtinho pra fingir que é careca.

 

ACHADO NÃO É ROUBADO… OU É?

por FLAVIO LAMENZA | 27 abril 2011

Uma das discussões que mais dão problema e chateação na internet é: “você não citou a fonte”. Isso quer dizer que alguém publicou um conteúdo de outra pessoa – uma foto, por exemplo – e não falou “vi no blog do fulano”, ou “dica do beltrano”, ou o simples “fonte: site do sicrano”.

Por que isso incomoda tanto? Porque passar horas produzindo um conteúdo, tendo capricho na seleção de imagens e carinho ao escrever o texto, e daí alguém simplesmente dar um “copiar e colar” para, num clique, levar o conteúdo que você criou para o site dele e ainda ter a cara de pau de não falar quem foi o autor da criação… Fala sério, é pior que perder o bilhete premiado da Mega-Sena. Ok, nem tão sério assim, mas é muito chato! Mas quem reproduziu seu conteúdo sem crédito pode, realmente, não ter nenhuma culpa. Explico: a internet é um mundo gigante em um lugar só. Imagine que um russo possa sem querer cair no seu site ou galeria de fotos aqui no Brasil, gostar de uma foto (não entender nada do português que estava escrito) e salvar no seu computador lááááá na Rússia. Daí ele pega essa foto bonita que você (aqui no Brasil) tirou e manda para uma amiga; essa amiga tem um blog/site lááááá na Rússia e publica a sua foto.


copiar pode ser divertido…
Clique pra continuar lendo

A CENSURA PODE SER BOA PRA INTERNET?

por FLAVIO LAMENZA | 26 novembro 2010

censura_chongas

A internet oferece uma falsa sensação de liberdade. Afinal, qualquer um, de qualquer idade ou classe social, do conforto de sua casa, pode ser o que quiser escondido atrás de um “apelido”. Dá pra criticar ferozmente uma notícia, reclamar no Twitter, convidar todos os amigos para uma determinada festa (normalmente chata) pelo Facebook e bombardear seus amigos com mensagens (99% desnecessárias) no Orkut.

Basta entrar em qualquer grande portal de notícias e ler os comentários. Basta ler as respostas que as grandes celebridades (ou *webstars*, vide @felipeneto) recebem no Twitter. Basta escrever um post em seu blog sobre, por exemplo, política (assunto “tranquilo” de tratar na web). Basta jogar FarmVille ou MafiaWars (chatos!) pelo Facebook ou Orkut e enviar desagradáveis convites a seus “amigos”. Ou seja, basta aparecer na internet que você estará exposto a tomar um soco na cara e não saber nem de onde veio.

Essa “brisa no rosto” libertária na web acontece porque você não precisa dizer quem é, não precisa se identificar com CPF/RG antes de publicar um comentário. (E desconfio que, mesmo se fosse assim, as coisas não seriam tão diferentes.). Você está em sua casa, defendido pelo anonimato, é um bundalelê só…

Até que chegamos à censura!

Mas ela veio de forma tão bonita que ninguém percebeu. Foi algo tão positivo que ninguém reclamou. Exemplo: alguém te incomoda no Twitter. Qual é a primeira reação? Dar um block. Pronto, a pessoa (chata!!) não pode mais ler suas tuitadas ou falar com você. Outro exemplo? Você começa a receber centenas de convites daquele seu “amigo” no Facebook. O que faz? Existe um botão chamado “Ocultar” que oculta (rá) as chatices as mensagens dele. Ele não fica sabendo de nada e você continua amigo do mala.

É claro que os chatos continuarão a existir na internet, mas é um sonho tê-los fora da SUA navegação, não te perturbando. Por que ler o que não quer se na internet é você que decide para onde vai?!

No mundo real a censura nos fez andar para trás. Mas a internet é um mundo tão louco que parece que a censura nos fará andar pra frente.


Flavio Lamenza é editor do Chongas.com.br, publicitário e internet evangelist (palavra chique e da moda), e corta o cabelo bem curtinho pra fingir que é careca.