CUIDAR DA SUA REDE É CUIDAR DE VOCÊ

por RAPHAV | 18 agosto 2011

Hoje estamos todos conectados, e todos que vivem as redes sociais são conhecidos pelo que falam, comentam, postam e twitam. Seja pelo bem ou pelo mal, é assim que o mundo conectado nos vê, e, pelo menos aos olhos do Google e das ferramentas de busca, todos nós já viramos uma marca. Ou melhor, um objeto social.

Objeto social é o que une as pessoas na rede, o que cria conversas e interações, o que faz a rede girar. Você – e tudo no que você acredita – já é um objeto social.

Se isso faz algum sentido pra você, gostaria de chamar sua atenção para um fato interessante: a cada dia, além de crescer em número, sua rede cresce também em atividade e conexões, e são essas conexões que a fazem mais intensa e mais valiosa. Hoje em dia, é melhor você enriquecer as relações entre seus amigos e seguidores do que apenas fazer sua rede crescer. Mais do que seus amigos, mais do que sua audiência, eles são seus propagadores.

E pra agitar sua rede, aí vai outra dica: pense nela como um ambiente físico, um lugar real, onde você encontra seus amigos. Comece a falar, responder, postar, comentar e curtir de acordo com esse lugar. Se sua rede se parece com uma mesa de bar, uma faculdade ou até uma biblioteca, comporte-se na rede como você se comportaria nesses lugares.

Independentemente de como sua rede se pareça, é a autenticidade dos objetos sociais que os faz relevantes. Da próxima vez em que o Google te encontrar, pode ser que você esteja mais valioso.

Raphael Vasconcellos é Executivo de Criação na AgênciaClick Isobar, co-host do TEDxSão Paulo e TEDxAmazônia e foi o representante brasileiro na categoria Cyber do Festival de Criatividade de Cannes.

O QUE VOCÊ ANDA FAZENDO QUANDO ESTÁ ONLINE?

por RAPHAV | 28 abril 2011

Houve um tempo em que, para você ser respeitado e arranjar um bom emprego, era importante ter uma boa formação. O lugar onde você estudava e se formava praticamente garantia o que viria nos anos futuros.

Tempos depois, o importante era o QI: quem (te) indica. A chave do sucesso era conhecer pessoas, frequentar lugares descolados, com gente influente, ser amigo dos poderosos, amigo dos amigos de quem importava. Muitos destes nem tinham a tal “boa formação” do parágrafo anterior.

Mas agora parece que os tempos são outros: nossa vida digital está permitindo que o nosso conhecimento informal ganhe tanta relevância quanto a boa formação e o QI, que – diga-se de passagem – continuam importantes. O mundo digitalizado está permitindo não apenas ampliar o acesso a diferentes fontes de informação como também deixar rastros do que lemos, escrevemos, comentamos, compartilhamos e criamos. E isso acaba construindo, acesso por acesso, a nossa identidade digital, que em última instância moldará a opinião que nossos futuros chefes e colegas de trabalho terão a nosso respeito.

Clique pra continuar lendo

ENSINAR A OUVIR

por RAPHAV | 24 novembro 2010

Meu primeiro ano no segundo grau foi divertido. Dentre as muitas coisas que aconteceram de novo, além do primeiro zero (em física), foi nesse ano que ganhei minha primeira suspensão, por fazer parte da turma do fundão.
Enquanto todos tentavam se explicar, eu fiquei calado, esperando a hora de me justificar. Mesmo falando na hora certa, não adiantou muita coisa, e passamos o dia lá na sala da diretora, eu e todos os meus companheiros de fim de sala.
Quando a diretora me por viu lá, ficou surpresa: por mais bagunça que eu fizesse na aula, minhas notas eram ótimas (tirando a primeira prova de física).

Eu não tinha o perfil esperado de quem “toma suspensão”. Nesse dia ela me disse uma coisa que eu nunca tinha percebido, e que talvez explique a estranheza da diretora: diferente dos meus amigos, eu sabia escutar. Como eu prestava atenção na parte importante da aula, apenas o suficiente pra aprender a matéria, podia brincar durante o resto da aula que minhas notas continuavam boas. Foi difícil manter meus amigos por causa disso.

the3monkeys

Corta pro presente.

Nos últimos meses deste ano me envolvi em diversos projetos com um forte elemento de colaboração: Fiat Mio e TEDx Amazônia, entre outros. Em todos eles procuramos exercitar a colaboração na prática, e, por mais inovadores que tentamos ser, o dia a dia se resumiu a ensinar nossos clientes e parceiros a ouvir.

Depois de anos e anos apenas falando, acho que as marcas, e as pessoas que fazem as marcas se comunicarem, desaprenderam a ouvir. O que colocar no Twitter? Com qual frequência? Com qual tom? Respondemos todos os posts que recebemos? Todos em que somos citados? Muitas dúvidas para uma simples questão: como participar, verdadeiramente, de uma conversa?

Ao lembrar desse meu episódio do segundo grau me caiu uma ficha, uma ficha bem velha, daquelas do tempo em que telefone público não era a cartão: temos que reaprender a ouvir para participarmos da conversa, e nós, publicitários, após reaprendermos isso, temos que ensinar nossos clientes a ouvir.

A sinceridade que passaremos a construir com nossos amigos-consumidores talvez faça a gente perder alguns amigos no caminho, mas vamos ganhar muitos outros com os quais vale a pena dividir um dia de suspensão na sala da diretora.

A QUEDA DA LAJE

por RAPHAV | 16 agosto 2010

Não trabalho com propaganda. Trabalho para marcas. Ouço, entre meus colegas, histórias sobre o online e o offline, como alguns deles trabalham com as duas coisas, como suas agências trabalham com as duas coisas, como essas duas coisas não se separam mais e como essas coisas devem nascer ser integradas debaixo do mesmo teto.

Lajes que antes dividiam esses dois mundos estão agora cedendo, e pra todos que celebram a queda da laje eu digo: deixem de bobagem. A diferença entre esses dois mundos precisa existir. É no consumidor em que as barreiras caem, não nas marcas, muito menos nas agências. Eu acredito no on. Eu acredito no off. Cada um na sua laje.

Na laje de cima, por exemplo, o Jornal Nacional, o centro do mundo, emparedando os candidatos à presidência. Na mesma semana, laje de baixo, o YouTube e um filme feito na periferia, com um celular na mão de um jovem jogador de tênis. Duas janelas para o mesmo mundo, me ajudando a enxergar a mesma paisagem.

Nas duas janelas ritmos diferentes, espíritos diferentes, como dois irmãos. Aqui em casa o mais novo imita o mais velho, o mais velho provoca o mais novo. Quanto mais diferentes, mais fortes, e mais um ganha confiança para não ser o outro.

Não ser o outro é o melhor que o online – e o offline – podem ser. Com ou sem laje, o exercício de coexistir é o desafio dos tempos atuais para as histórias que as marcas querem contar. O on e o off nunca serão a mesma coisa, precisam apenas aprender a coexistir.

RT, O VERBO DO CONHECIMENTO

por RAPHAV | 4 junho 2010

No mar no qual vivemos, o consumo de informações é fácil, facílimo. Pelo menos no mundo virtual, fronteiras já não existem mais, e essa inexistência é como uma comporta aberta que quase nos obriga a consumir informações, em uma abundância que chega a ser angustiante.

“Informação vira conhecimento, conhecimento que pode virar sabedoria”, rt @haraujo.

Aí apareceu o Twitter, a ferramenta de expressão pessoal mais perfeita que existe. Lembro das críticas no início, de que ninguém se interessaria em saber se “estou vendo TV”, ou “bebendo um copo d’água”, mas o Twitter se mostrou – obviamente – muito mais do que isso. A parte mais bela é o retweet. Não apenas por ter sido criado pelos próprios usuários da ferramenta e depois incorporado oficialmente, mas porque estamos aprendendo a dar crédito. Alguns aprendendo pela primeira vez, outros muitos reaprendendo.

Retwittar já virou verbo com significado próprio, mas é mesmo a modernização da citação. Mais do que arte para ganhar seguidores, o que você ganha ao usar R+T é aprendizado e respeito. Respeito de quem criou, respeito de quem está aprendendo por meio da sua generosidade.

Curadoria tão valiosa quanto autoria.

Me agrada saber que, a cada retweet, estamos espalhando o conhecimento, promovendo – quem sabe – mais sábios do que antes, quando o mundo ainda tinha fronteiras.


Rapha Vasconcellos se disfarça de “raphav” pela web.

CO5 – PRIMEIRO TEXTO

por RAPHAV | 27 maio 2010

co5_raphav

Colaboração

Cocriação

Coopetição

Conexão

Compartilhamento

Neste espaço, enquanto a PIX tiver paciência de me manter escrevendo por aqui, transitarei pelas ideias que as 5 palavras do início deste texto sugerem. Não porque alguns podem dizer que estas palavras estão ‘na moda’, mas por resumirem para mim o momento criativo no qual vivemos.

Realmente as enxergo como uma síntese do mundo conectado. De pessoas com marcas, de marcas com pessoas, e certamente entre pessoas. A pobreza da quase-rima não foi intencional. Nunca gostei muito das teorias dos 4 Ps, 5 Cs ou 8 Gs (até entendo que facilitam o aprendizado), mas estou eu aqui batizando esta coluna de CO5, em referência ao prefixo de origem latina que significa companhia, reunião ou contiguidade, e que proponho passarmos a dar-lhe um pouco mais de atenção.

Os textos que aparecerão por aqui serão apenas um princípio. Chega de olhar para a autoria como algo divino, especial, providencial. Nós somos produtos do nosso meio e das pessoas com as quais interagimos. Hoje, você é o que você compartilha.

Começou.

Rapha Vasconcellos se disfarça de ‘raphav’ pela web.