COMO O FACEBOOK NOS TORNA SOLITÁRIOS E EGOÍSTAS

por LUISA CLASEN | 6 maio 2012

Você se acha uma pessoa narcisista? Se você tem um perfil no Facebook, é muito provável que você seja um. É porque narcisismo não é exatamente isso que a gente imagina, da pessoa que se ama e se acha linda. É também aquela vontade de aparecer, de mostrar pra todo mundo como a gente é feliz, como tudo na nossa vida é incrível!

9,8 entre 10 pessoas só posta no Facebook coisas que vão chamar atenção das outras (não adianta negar). Ninguém posta nada no Facebook sem a intenção de conseguir algum tipo de feedback. As opções são:

  1. propagandear nossa felicidade e então ganhar elogios (curtir) postando coisas que mostram como a gente e nossa vida são incríveis – os amigos, os netos, a viagem, as notícias lidas, os links compartilhados, etc
  2. mostrar nossa frustração (#mimimi) ou  tristezas, no intuito de conseguir empatia, conselhos, pena e conexão alheias.

Esse pode não ser um processo consciente, mas, de uma maneira ou de outra, buscando lá no fundinho do seu ser… você vai perceber o quanto te satisfaz receber um like, um comentário ou até (eca) um cutucão e o quanto te massacra não conseguir nada disso.


Todo mundo quer atenção, quer ser elogiado, quer ser destaque… Mas essa “attention-whore-zice” pode ser perigosa. Lembram da palestra da Rosana Hermann no último youPIX sobre egocentrismo? Pois é! A gente tá tentando empurrar a nossa felicidade guela abaixo da galera (e, maybe, da nossa própria) na timeline do Facebook.

Sim, também dá pra encontrar esse tipo de comportamento em outras redes sociais, mas é no ~Feice~ que a coisa fica muito explícita, já que é uma rede dedicada ao relacionamento, coisa que, geralmente, se constrói através de admiração ou empatia.

O problema dessa coisa narcisista da web é que ela deixa a gente muito focado nas nossas conquistas, alegria felicidade e imagem.

Tava pensando nisso quando me deparei com uma matéria que saiu recentemente no The Atlantic sobre o Facebook e a solidão crescente da nossa geração. Há cinquenta anos, havia 10% de lares com apenas um morador nos EUA. Em 2010, o número subiu pra 27%. A diferença entre estar sozinho e se sentir sozinho é importante, mas será que são as redes sociais que fazem a gente se isolar ou a gente se isola e aí vai procurar as redes?

As pessoas se sentem menos sozinhas quando alguém comenta numa foto delas, ou manda um chat pra conversar, ao invés de apenas “curtir” o status, apontam estudos. Pô, nem precisa de estudo, vai? Certeza que você passa por essa frustração todo santo dia no Facebook.

 

E a coisa piora: além da solidão, a gente também sente inveja, ciúmes e isso tudo é natural. Mas jogue a primeira pedra quem nunca sofreu por ter visto uma foto no Facebook daquela viagem incrível que outra pessoa fez, aquela festa que não te convidaram, a namorada nova do ex…

Antes do ~advento do Feice~, a gente ouvia sobre a felicidade alheia ou via uma foto e o momento passava. Hoje, você vê o número de likes daquela foto (que não é a sua) crescer na sua timeline, como um lembrete do seu fracasso, e não tem nada pra fazer. SE MATA!

Mas peraí, o que é o fracasso? Não ter uma foto curtida no Faceboo? Gente, a vida não é uma competição de “curtir”.

Quando a timeline do Facebook só te mostra pessoas incrivelmente felizes, momentos inesquecíveis e alegrias incontáveis, a gente vai acreditando que a vida dos outros é perfeita, só a nossa que tem problemas.  Daí a gente vai editando nossa vida pra que ela pareça linda na timeline alheia (não negue!), mas nós mesmos achamos que aquilo não é suficiente.

A gente esbanja felicidade, mas se sente um fracasso. A que ponto chegamos?

Pesquisas provam que o que faz alguém feliz não é ser bonito, ter dinheiro, ter likes nas fotos… É ter bons amigos. E amigo de verdade, não desse tipo que a gente finge que tem no Facebook.

Cada “curtir”, cada comentário, representa algo muito maior. É um pedacinho da nossa alegria que a gente compartilha com os outros. Não é legal receber likes nos nossos status? Então tá na hora de ser menos mesquinho e espalhar mais esse sentimento bom por aí. Alegria não é que nem dinheiro, quando a gente gasta, ganha em dobro.

 

Quem escreveu:

LUISA CLASEN / @lullylucky

A garota do cabelo colorido.
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