UM PASSEIO PELA DEEP WEB, O LUGAR MAIS ASSUSTADOR DA INTERNET

por RENATO ALT | 1 novembro 2012

ESTE DEPOIMENTO CONTEM IMAGENS QUE PODEM SER PERTURBADORAS!

Nossos leitores enxergam o youPIX como um veículo que “explica e organiza” um pouco
do caos da internet. Só fizemos esta matéria porque recebemos muuuitos pedidos
de explicação sobre a Deep Web e o tipo de conteúdo produzido por lá. 

O YOUPIX NÃO RECOMENDA O ACESSO À DEEP WEB!

Antes de começar o mergulho, vale dizer o seguinte: é claro que a Deep Web não é essencialmente do mal. Tem muita coisa interessante, como livros, pesquisas e tudo o mais. E, no final das contas, você acha o que procura. O lance é que o que mais desperta a curiosidade da galera em geral é se, afinal, esse monte de bizarrice que dizem rolar por lá realmente rola. Por isso é que esse foi o foco do artigo.

Você provavelmente já ouviu falar em Deep Web, aquela parte de baixo do iceberg na imagem que anda circulando por aí. Aproximadamente 80% de toda a informação que corre na internet está escondida nessa camada bem profunda da rede… uma camada que, por motivos óbvios, você não vai encontrar no Google.

Mergulhar nesse universo profundo é complicado. E é mergulhar mesmo, porque enquanto você circula tranquilo pela web aqui em cima, a Deep Web exige equipamento especial e bom treinamento, ou você vai virar comida de tubarão. Mesmo sabendo disso tudo aí, que não é nada tentador, resolvi ceder à minha curiosidade patológica e entrar nesse mundo paralelo, e desbravar o lado dark da DW.

Mas me arrependi…

 

Graças ao anonimato, a Deep Web é um repositório de tudo de mais bizarro, nojento e impensável que existe no mundo e em todas as áreas possíveis, por exemplo (só alguns): pornografia (CP – child porn, imagens de sexo que fariam Marquês de Sade vomitar), drogas para compra, contratação de assassinos, fóruns para pedófilos, estupradores (com imagens sempre bem explícitas), canibais e lutadores de UFCs que só terminam quando alguém morre e por aí vai.

É uma terra onde ninguém tem nome e todo mundo pode dar vazão à coisas que nós, pessoas normais, nem sequer conseguimos imaginar.

O ambiente da Deep Web tem mais vírus do que a Vila Mimosa, e um monte de hacker faminto pra pegar quem resolve aparecer sem o devido cuidado. Inclusive, é por lá que nascem os vírus mais cabulosos de que se tem notícia. Ah, e tem o FBI e a Polícia Federal nessa história também: eles estão ligados no que rola por lá e por isso mantém “iscas” e frequentam ambientes a fim de pegar quem anda fazendo o que não deve. Saca aquele programa “To Catch a Predator“, onde uma galera de agentes se passa por menor de idade pra tentar pegar pedófilo? O esquema é mais ou menos esse.

Ou seja, é claro que a gente não tá falando que viu-foi-preso, mas, como diz o delegado Hélio Bressan, titular da 4a DIG (Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas cometidas por Meios Eletrônicos), o rastreamento na DW é mais difícil, mas não impossível. Os caras estão de olho, manolo!

 

ONE DOES NOT SIMPLY WALK INTO THE DEEP WEB

Pra acessar a DW é preciso instalar uma máquina virtual, ter o browser específico para navegação, colocar o Firewall no talo, o antivírus em RED ALERT e esse tipo de coisa. E bicho, que troço lento. É um parto até o bendito browser conectar (porque ele vai se conectando à uma rede espalhada em todo le monde pra garantir seu anonimato). E, amiguinhos, não recomendamos que façam isso em casa (nem na casa do seu inimigo).

Quando finalmente a coisa vai, chegamos à Hidden Wiki, principal site da DW. A partir daí fica cabuloso. O site é como um imenso diretório, onde você pode buscar o assunto que interessa. Qualquer assunto. Repetindo, qualquer assunto. Sem qualquer tipo de bloqueio social, moral ou o que for. Tipo de pesquisas que mostram que algumas pessoas nem sequer podem ser chamadas de humanas.

Durante o tempo em que fiquei nessa de aventureiro do bairro proibido, percebi que praticamente tudo acontece em fóruns. Você não vai encontrar (bom, eu pelo menos não encontrei) sites com o mesmo formato aq está acostumado aqui na “web de superfície”. Em geral, eles se limitam a uma lista com o que contém, ou simplesmente um diretório com suas subdivisões. Um ou outro tem uma logo ou uma foto simples. Tudo um esforço para manter a coisa o mais difícil de rastrear possível.

Esse cuidado todo é porque aqui o buraco é muito, mas muito mais embaixo. Ou melhor, é sem fundo. Se os alertas do Fantástico sobre os perigos da web te assustaram, fique sabendo que aquilo ali é um jardim de infância se comparado à DW.

Mas calma, nós fizemos o trabalho sujo por você, aqui vai um relato sobre o que existe nos lugares mais escondidos da internet. Vamos lá.

 

 

O QUE VOCÊ ENCONTRA POR LÁ?

Dentro da proposta da pesquisa, imagine uma coisa bizarra. Mas bizarra mesmo. Então, alguém já fez isso, fotografou e postou lá na Deep Web. Lembra de “2 girls 1 Cup”? “BME Pain Olympics”? É sobremesa perto do que um sujeito doente pode fazer. Ou seja, é gente pra ser presa às centenas. Mas a Polícia Federal e o já citado FBI já estão ligados e tem milhares de iscas espalhadas. Acessou conteúdo marcado, aqueles que a gente falou que os caras monitoram, se prepara que os caras vão chegar em você.

Já que não se pode simplesmente dar um shut down na coisa toda, afinal sempre vai existir o argumento de liberdade de expressão (não há só lixo na DW), os FEDS aproveitam para tentar agarrar alguns predadores. Se quiser, também dá pra comprar drogas ou encomendar um assassinato básico. E nem precisa pagar em dinheiro: a transação é feita com créditos chamados Bitcoins, uma moeda virtual baseada em P2P que garante o anonimato entre as partes.

Também é verdade que nem tudo é do mal. Existem ferramentas de busca próprias pro ambiente, como o Deep Peep (que funciona como o Google), e até um que propõe deixar o lixo humano de lado e ajudar a buscar informações que valem a pena, como o Intute, um site que concentra centenas de links para estudos e pesquisas que abrangem todas as áreas do conhecimento humano. E há sites que tratam de assuntos controversos, mas não ilegais ou depravados, onde as pessoas podem opinar sem serem pré-julgadas por isso.

Por falar em opinar, há chats para quem quer trocar figurinhas com outros usuários específicos, mas enquanto me preparava para esse mergulho de escafandro, li em um site gringo que a regra de ouro ao navegar na DW, julgando que quem está lendo é uma pessoa normal, é: veja o que quiser, mas não fale com ninguém.

venda de drogas na Deep Web

 

Uma das grandes curiosidades é a respeito de documentos governamentais, e sim, eles estão lá, graças ao já conhecido grupo hacker Anonymous, que há pouco rompeu relações com o Assange e seu Wikileaks. Não sei, mas brigar com o Anonymous não parece boa ideia. E grupos extremistas, seitas satânicas e afins não têm freios na hora de mostrar fotos das barbaridades que executam, ensinar rituais, ir para dentro do campo do ocultismo extremo, do tipo que nem Paulo Coelho deve conhecer. Muito além do tabuleiro de Ouija, meus jovens droogies.

Outro site que me chamou atenção mostra experiências realizadas em seres humanos, coisas de Josef Mengele, devidamente documentadas. Um aviso está logo na primeira página: “os indivíduos que usamos em nossas experiências são moradores de rua, porque não têm identidade e ninguém nota seus desaparecimentos.”

Mais um endereço, e esse agora é de um grupo de canibais. E o mais impressionante: os fóruns têm voluntários que querem ser, literalmente, comidos.

 

VOLTANDO A SUPERFÍCIE…

Pra mim, o saldo é o seguinte: todo mundo que se liga em internet, que procura saber das coisas, já tá ligado que essas bizarrices todas existem no mundo. Ninguém precisa de Deep Web para ficar “mais antenado”. Sites com fotos de acidentes, de autopsias, de gente arrebentada, de possessões e aparições existem na Web de superfície.

O que torna esse lado da DW um ambiente grotesco é que o que mais se encontra são sites de pedofilia, onde os usuários trocam fotos e contam vantagem do que fazem. São coisas impensáveis. Quem assistiu “A Serbian Film”, acredite: não é nada comparado ao que esses doentes fazem. Quem não assistiu, pode ler a história toda na Wikipedia.

Não foi preciso acessar um site para ficar sabendo disso; o fórum conta em detalhes o que foi que a pessoa fez e só depois surgem os links das imagens para comprovar. Por motivos óbvios, não cliquei nelas. E é impensável o que fazem com animais. É impensável o que alguém pode fazer com outro por puro prazer doentio. E o pior é saber que, por mais extremo que seja, um filme como “August Underground” é isso, um filme (na lista dos 25 mais perturbadores da história). Na Deep Web é real.

Finalmente o estômago embrulhado derrotou a curiosidade, e emergi de volta para um mundo que de repente se tornou muito pior. As imagens vão demorar a sumir.

É claro que muitas imagens que rolam por lá deixam dúvidas quanto à sua interpretação e que outras tantas são falsas. Mas como saber qual é qual? E, na boa, que fossem só 10% verdadeiras: a conclusão é que a DW serve para mostrar uma realidade que não deveria existir.

E que você não precisa ver.

 

Quem escreveu:

RENATO ALT / @aperteoalt

Renato Alt, ou @aperteoalt ou @dicasdomacgyver, escreve no http://aperteoalt.com.br
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