“Beyond: Two Souls”: que tal um jogo que mistura cinema e tem a participação de atores reais?

por Pedro Katchborian | 9 outubro 2013

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Há tempos os games contam histórias tão boas quanto as dos filmes: eles tem roteiros, altos orçamentos, personagens intensos e lições de moral. Mas a novidade “Beyond: Two Souls” traz alguns elementos jamais vistos em games.

O jogo já está à venda, apenas para Play Station, e aparenta uma qualidade gráfica incrível. As suas principais estrelas são atores de verdade – a heroína do jogo é Ellen Page, que empresta sua fisionomia e voz para “Jodie”, e Willem Dafoe, que no game é “Nathan”. A mistura entre game/filme é tanta que o jogo foi até apresentado no Festival de Cinema de Tribeca.

“Beyond: Two Souls” conta a história de Jodie, uma menina perturbada, que tem poderes sobrenaturais por carregar um fantasma de um garoto consigo.

O trailer do jogo impressiona bastante. Veja abaixo:

Foda, não é? Pra quem conhece a Quanticdream e o criador David Cage, responsáveis por “Heavy Rain”, outro jogo que é praticamente um filme interativo, o estilo de game não é lá uma novidade tão grande. Só que ”Beyond: Two Souls” reforça muito mais a ideia de botar um pé no cinema.

  • E as críticas do jogo?

Segundo o The Verge, que fala exatamente sobre essa linha tênue de filme/jogo que “Beyond: Two Souls” traz, o game traz uma experiência de se envolver emocionalmente com um personagem como poucas vezes se viu, já que você está presente em diversos momentos importantes da vida de “Jodie”.

Já o review do Polygon – que deu nota 8 para o jogo – afirma que ele “se salva com a sua apresentação e as suas performances, mas a história é fraca”. A crítica entre os sites de games é parecida: o Giant Bomb, que deu 3 de 5 estrelas para o jogo, também diz que “algumas coisas na narrativa são bem confusas”.

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Segundo as críticas, “Beyond: Two Souls” tem grandes performances e personagens bem intensos, que nos emocionam como em qualquer filme. Mas ainda peca no roteiro e na hora de se tornar divertido como um jogo.

O título da avaliação do IGN (6 de 10) já deixa claro “Look, Don’t Touch” (Olhe, não toque): eles afirmam que é um jogo em que você não participa tanto do game quanto deveria. O que indica que o game está mais para um filme interativo. Pela média das críticas e alguns comentários do público, a galera não curtiu tanto assim.

  • Games e filmes juntos: é possível?

O fato deste jogo trazer atores de Hollywood dá uma credibilidade maior ainda ao estilo, lembrando que também pode ser mais um indício do enfraquecimento da indústria do cinema – que já havíamos mostrado com a disputa séries x filmes.

O problema de estar nessa linha tênue entre game e filme é exatamente esse: para isso, você precisa ter elementos bem construídos de ambos. Caso você apresente seu game nesse formato, ele precisa cumprir as duas funções – não pode ser confuso e você nunca pode esquecer da jogabilidade.

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Ou seja, pra muita gente é um saco ficar lá esperando, vendo o que tá acontecendo e não fazer porra nenhuma ou apenas apertar um botão aqui ou ali. É claro que tem o pessoal que gosta de acompanhar a narrativa, como os fãs de “Heavy Rain”, que devem curtir – e muito – o jogo.

Mas a pergunta que fica é: será que algum jogo conseguirá agradar tanto os que apreciam uma boa história quanto os que preferem uma jogabilidade mais intensa? É impossível uma interação perfeita entre filme-game?

Quem escreveu:

Pedro Katchborian / @pedrokatch

é repórter do youPIX. Queria ser paleontólogo, mas virou jornalista.
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