YOUPIX CHAT: O QUE É SER ORIGINAL E CRIATIVO NA INTERNET?

por ADRIANA OSHIRO | 29 agosto 2012

Se você costuma frequentar nossos festivais, já deve ter ouvido de algum palestrante a importância de ser criativo e original na web. O problema é que com tantos blogs, podcasts, vídeos e milhares de outros projetos multimídia rolando por aí, fica um tanto quanto difícil fazer algo inédito. Ou será que não?

Pra alguns, há mecanismos que te fazem pensar fora da caixa e criar algo novo. Pra outros, a questão da originalidade é algo extremamente raro de acontecer, pois todos estão se copiando.

No Globo Repórter youPIX Chat de hoje, levantamos essa questão e perguntamos pros especialistas da websfera: afinal, o que é ser original e criativo na internet?

Pra começo de conversa, a gente precisa definir qual o critério de originalidade e para quem seremos criativos. Digo isso porque pela própria natureza do meio, a internet tem de tudo. De artistas e donas de casa até donas de casa artistas. De engenheiros geeks à analfabetos desfuncionais. Consequentemente, as referências são tantas que a ideia de originalidade é quase inalcançável.

Para piorar ainda mais esse quadro, a alta social mídia se vale do ineditismo como moeda de status. Um “isso é velho”, um “já vi”, um “old” vale muito mais do que uma expressão de deslumbramento. Cada um quer acumular mais informação que o próximo. A meritocracia do information overload.

Difícil ser criativo pra essa gente chata.

Então minha opinião sobre originalidade e criatividade vai ter um viés muito específico. O da Publicidade. O de quem precisa utilizar a originalidade e a criatividade como ferramento para capturar a atenção do consumidor que a mídia passou a chamar de “internauta”. Do cidadão comum. Do sujeito que anda de ônibus, que faz compra do mês, que compra a prestação e que não passa o dia todo postando no facebook.

Nesse contexto, corro atrás da criatividade que permita ser capaz de tirar uma mensagem do browser e vazá-la da tela para o mundo real. Não é muito diferente do que acontecia no passado. Ser original e criativo, pra mim, continua sendo quem é capaz de criar conversação na hora do café. É o desafio de abrir um parenteses na vida do cidadão comum e praticamente obrigá-lo a dividir com quem está a sua volta o que acaba de ver.

Num mundo em que todos nós somos bombardeados por informação, onde essa informação é um ativo, ser capaz de hierarquizar nossa mensagem pro topo da pirâmide, mesmo que por algumas horas, é pra mim a maior prova de originalidade e criatividade. É atrás disso que corro todos os dias.

 

O problema da falta de criatividade na internet não é que as pessoas não são criativas e sim que elas querem lucrar com conteúdos que não valem o teclado gordurento em que foram escritos. A internet brasileira está se tornando uma cópia eterna de si mesma porque gente demais aprendeu a dominar mecanismos básicos de como despertar o interesse dos outros e resolveu usar esse marketing de botequim para se dar bem na moleza. Alguns de fato se deram bem, o que estimulou milhares de outros a seguirem o mesmo caminho. Foi basicamente isso que criou essa horda de blogs e sites iguais que vemos hoje.

Existem poucos assuntos capazes de gerar muitos cliques. Quem quer anúncio, acesso, fanpage bombada, etc tem que se concentrar nesses assuntos e postar muito. Ou seja: precisa abdicar da criativade e apostar no que todo mundo gosta, no que o anunciante já sabe que dá resultado. O resto da internet inteira continua sendo um território desocupado e fértil para quem simplesmente quer fazer algo legal, que faça sentido para si mesmo. Algo que faça sentido para você sempre vai ser criativo de algum modo.

 

Ser criativo é criar bancos de areia no raso, é mudar o lugar do sentido, é alterar o contexto esperado.

Não é surpreender apenas, é assustar.

É fazer com que ideias de duas áreas diferentes conversem pela primeira vez.

É comparar mais do que perguntar.

É se emocionar mais do que entender.

É ouvir mais do que pensar.

 

A internet é linda, e eu estou particularmente apaixonada por ela nessas últimas semanas. Graças ao Pinterest, ao Rdio, ao Pulse. No primeiro, pino frases para o Autoajuda do dia. No segundo, ouço as músicas que adoro, descubro as que vou amar logo mais, repito obsessivamente as faixas de “Estrela Decadente”, de Thiago Pethit. No último, organizo minhas leituras diárias de uma forma gostosa –uma imagem grande vem acompanhada de uma ou duas linhas e já me dá o teaser do que vou encontrar logo mais.

Dias de otimismo e empolgação sempre vêm acompanhados de alguma “noia”. A da vez é: pra que manter perfis em absolutamente todas as redes sociais que já foram criadas? Orkut, MySpace, Last.fm, Blip.fm…. Been there, done that: dos testemonials emocionados à discotecagem que durava o dia inteiro, passando pela checagem das estatística de quantas vezes fui capaz de ouvir a mesma música do Pulp.

Olhando hoje essas redes que um dia já fizeram parte de todos os meus dias, por tantas horas, penso: deve ser muito difícil inventar um site ou um produto, vê-lo crescer, ganhar seguidores, matérias em jornais e revistas de tecnologia, receber grana de investidores e, depois, perceber que o público fiel de ontem migrou para uma versão bem melhorada do que você criou.

Porque o Pinterest é um Ffffound super melhorado. O Rdio, tudo aquilo que o Grooveshark poderia ser. O Pulse, o que o Google poderia ter feito do seu Reader. Cada um deve ter seu público, vai que eu tô colocando num mesmo balaio coisas que nem se misturam tanto. Mas tudo isso me leva a pensar: a gente tem que explorar todas as possibilidades de uma ideia, principalmente se ela saiu do papel e conquistou 10, 100, 1 milhão de adoradores.

Ser original e criativo na internet é cuidar do seu projeto, do seu site, do seu produto de um jeito tão apaixonado e próximo que não sobre espaço pra que alguém venha pegar sua ideia e transformá-la numa coisa ainda melhor. Afinal, você sempre pode fazer melhor. É também saber pra quem você fala, como você fala, onde quer chegar. Porque nada pior do que ser apaixonado por alguma coisa e vê-la de mãos dadas com outro –nesse caso, TANTOS outros.

 

Quando se fala em originalidade, muita gente fica esperando pelo incrível insight ou sacadinha nunca antes imaginada, e que do dia para a noite vai te tornar um sucesso ilimitado. Vamos encarar a verdade: mesmo que você fique sentado e caia uma maçã na sua cabeça, nada lhe garante criar a lei da gravidade.

Sendo assim, eu acredito em personalidade. Existe competição em todas as áreas, milhares de pessoas criando e reinventando, mas se tem algo que ninguém pode ter ou copiar é a sua personalidade. Se você se colocar em cada aspecto do seu projeto, ele será diferente de todos os outros.

E claro, isso só acontecerá se você for apaixonado pela sua ideia. Criatividade e originalidade começam com trabalho árduo, personalidade e paixão. Pode parecer uma visão romântica, mas essa é a maneira mais fácil, saudável e divertida de se destacar da multidão.

 

E aí galera quem concorda com quem ou o quê? Opinem nos comentários!

Quem escreveu:

ADRIANA OSHIRO / @adriana1288

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