Quem é Luane Dias, a menina por trás do vídeo “Vergonhas do Facebook”?

por youPIX | 29 março 2013

Um dia Luane acorda, coloca seus óculos-escuros com lente anti-recalque pra esconder as olheiras de quem acabou de cair da cama e resolve gravar um vídeo sobre essa “vacilação” que é a pessoa ficar contando a vida inteira no Facebook como se “essa porra fosse um diário”.

O tempo passa e o vídeo, upado no Youtube apenas “paras as amigas”, se torna o maior viral da última semana – mais de 1,4 milhão de views, mais 250 mil compartilhamentos em redes sociais -, transformando Luane em porta voz de quem não concorda com o comportamento alheio no Facebook e, claro, a nova webcelebridade brasileira.

É parcêro, agora Luane Dias virou uma das pessoas mais procuradas do ~Feice~ e já conta com 3 perfis diferenres na redes social (1 apenas para amigos e 2 públicos) pra atender aos novos fãs, além de 1 twitter, 1 ask.fm, 1 email e 1 Youtube.

Furamos a fila e conseguimos uma entrevista exclusiva com Luane, onde ela conta sobre os bastidores do vídeo, seu dia-a-dia em uma das comunidades mais barra pesada do Rio e os planos futuros.

 

 

Sobre a fama e a internet

Luane confessa que só foi ter ideia do tamanho monstruoso da internet depois que seu vídeo se tornou viral. “Antes disso, eu só entrava mesmo pra ficar no Facebook, não conhecia outros sites”. Youtube? Não! “Nunca fui muito de ficar vendo vídeos, vi o Para Nossa Alegria e gosto dos vídeos do Away, mas só isso”. Orkut? “Mal usei”.

“Acho que não passo um dia sem entrar no Facebook, fico umas 10 horas por dia lá”. E posta o que? “Gosto de postar música, essas coisas. Não vou ficar no Facebook avisando que eu tou indo no banheiro”. Claro! “Essa porra não é diário”, não é mesmo?

Sobre a fama, ela tem a cabeça no lugar pra não cair na mão de aproveitadores e não se perder na instantaneidade da coisa: “a repercussão do vídeo é maior com o pessoal de fora, com gente que eu não conheço. Minha mãe só viu ontem esse vídeo. Aqui pelo bairro poucas pessoas tão ligadas nisso”.

A melhor coisa de tudo isso? “Descobrir que tem tanta gente por aí vendo uma coisa sua. Nunca imaginei”, diz ela. E a pior? “O risco de ficar vulnerável. Agora mesmo tou adicionando todo mundo no meu Face, mas não sei onde isso vai dar.”

 

 

É tudo atuação?

Luane sabe que um dos motivos que fez o vídeo se tornar viral é o seu jeito de falar, aprendido na escola Away de vídeos (de quem é super fã). Mas se engana quem pensa que Luane é aquilo que você vê nos vídeos. Falando ao telefone com ela, ficou bem clara a diferença entre a pessoa e o personagem. Pois é, a menina é toda trabalhada na atuação: “teve gente que não entendeu que aquilo ali é uma personagem, que eu não falo errado daquele jeito”.

“O que eu faço é observar as pessoas do meu meio. Minha mãe é engraçada, todo mundo fala gritando aqui em casa… Pego uma gíria daqui, outra dali e aí vou criando a personagem”, conta. Luane sacou que esse estilo “papo reto” era um elemento típico do humor carioca e se jogou nele.

E por que decidiu gravar aquele vídeo reclamando do povo no ~Feice~? “Minhas amigas sempre me acharam engraçada e ficavam brincando que eu devia gravar essa história.”

 

 

 

A carreira como vlogueira

Aos 19 anos, a carioca se tornou viral (e meme!) com o vídeo “as vergonhas do Facebook” e desde que seu desabafo começou a circular sem freio pela interwebz, a moça, que estava sem estudar e sem trabalhar, já arrumou um emprego como “repórter” do FnkUChannel, projeto da Dharma (uma agência que mobiliza jovens moradores das favelas do Rio em torno de projetos de criatividade).

Luane vai soltar o verbo pra comentar algum tema, no melhor estilo da escola Away de vídeos. E também vai passar a investir na carreria de vlogueira, fazendo vídeos semanais no mesmo estilo do que a tornou famosa (ela já tem mais dois vídeos gravados prontos pra publicação). O help pra transformar o viral em carreira vem de Dinho França, criador da Dharma, que vai passar a agenciar Luane e cuidar pra que isso tudo evolua pro lado certo.

 

 

O dia-a-dia e o futuro

Moradora de uma comunidade barra pesada do bairro de Cordovil, Zona Norte do Rio de Janeiro, Luane sabe que precisa aproveitar esse momento pra tentar mudar a vida da família pra melhor e evitar que, por exemplo, o irmão se jogue de vez por caminhos que não deveria.

Sem estudar e nem trabalhar, Luane já se dedicava a explorar sua veia artística (herança da mãe que é foi passista de escola de samba), dançando, participando de clipes de funk e até organizando festas na favela com sua mãe, também sua maior fonte de inspiração.

Hoje, feliz e navegando non-stop pelo Facebook, Luane tenta aproveitar o momento. “Se eu pudesse fazer faculdade, queria fazer psicologia. Mas agora que isso tá rolando, vamo ver”.

 

 

 

 

Quem escreveu:

youPIX / @youpix

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