Como ganhar dinheiro
na internet sem depender de marcas?
6 modelos alternativos de receita pra produtores de conteúdo
por Leo Maia
Quem trabalha produzindo conteúdo pra internet sabe que é dura a vida de quem precisa pagar as contas no final do mês mantendo a qualidade, relevância e a frequência do conteúdo publicado. Monetização é um dos assuntos mais velhos e desafiadores pra produtores de conteúdo na Era Digital, não só pros “independentes” ou representantes da “nova mídia”, mas também pros grandes portais e veículos da “velha mídia” que precisam se adaptar aos “novos tempos”. (Nossa, quanta aspa)
Já existem discussões infinitas sobre os modelos adotados por jornais na web, como Estadão, Folha, Wall Street Journal, New York Times e afins… e por isso nós vamos focar aqui na nossa comunidade, a dos criadores de conteúdo “independentes” (blogueiros, youtubers, etc).
Como um blogueiro, podcaster, youtuber, instagramer, viner ou snapchater ganha dinheiro hoje? Basicamente de três maneiras:
1) Display media (é o famoso banner, modelo baseado única e exclusivamente em audiência, por isso pouco vantajoso pra quem não tem centenas de milhares de views ou pageviews por mês, como os grandes portais — que aliás também estão sofrendo com CPMs cada vez mais baixos)
2) Publieditorial e Native Advertising (a marca “compra” um espaço editorial no seu canal e coloca conteúdo ali OU você, com o seu jeitinho, faz um conteúdo bacana pra marca dentro do seu canal)
3) Imagem (que é quando a marca compra a influência do criador de conteúdo e a sua figura — pra fazer merchan, participar de campanhas etc).






Pro cara que faz parte da comunidade de creators independentes (blogueiros, youtubers, etc, etc, etc), os dois primeiros formatos, que tem mais a ver com o canal (web e social) e menos com a pessoa, trazem um sustento mais sofrido. Mas os 3 são complicados. Por que?
Viver de banner é tenso! O CPM é uma desgraça e você acaba brigando com Portais com milhões de pageviews ou fatiado seu canal com vários formatos de mídia que só atrapalham a experiência da sua audiência (além dela já saber onde ficam os banners e ignorar aquela parte do site — ou usar AdBlock). É sabido que display media não é o que sustenta, é mais um dinheiro que ajuda a pagar o servidor e outras contas pequenas.

Publieditorial ou Native Ad é o que tem virado pra maioria dos creators, que tem canais focados em um tema/nicho e uma audiência engajada. Mas é um trampo lascado viver no telemarketing ativo e fazendo visitas a agências na tentativa de vender uma quantidade mínima de publis que sustentem o negócio. E quanto mais profissional é a operação do blog, do podcast ou do canal, mais gente ele emprega e mais estrutura é necessária pra manter o conteúdo rolando com frequência e relevância. Dá pra ganhar muito? Hummm… Dá pra manter a coisa de pé? Com certeza! Mas é ralação.
Daí sobra a questão da “Imagem”, modalidade reservada geralmente aos superstars do conteúdo digital, e que envolvem contratos mais granudos. Em uma ação de marca, às vezes o cara consegue faturar a grana de 10 publis. Dá pra ganhar muito dinheiro? Maybe! É pra todo mundo? Não.
Porém, trabalhando mídia, audiência engajada ou “superstarismo”, o fato é que essas 3 maneiras mais comuns de ganhar dinheiro representam, na verdade, um mesmo modelo de negócio que é unicamente sustentado pelo dinheiro das marcas.
Dinheiro este que, como sabemos, é concorridíssimo (ainda mais em anos sucessivos de crise e dólar a 3 reais, SOCORORROR). A TV aberta fica com quase 70% dessa grana (quase tudo com a Globo) e pra internet sobra 3,5% (mais ou menos 7 bilhões… sendo que 5 bilhões concentrados basicamente na mão do Google). O Armindo Ferreira fez uma análise interessante sobre esses números (leia aqui) e nos revela a sofrência que é viver de dinheiro de marca.

Então, se viver com o dinheiro de marcas é algo cada vez mais trabalhoso, o que nos resta? Já tem tempo que blogueiros e outros produtores discutem esse cenário é tentam encontrar alternativas para monetizar o material que estão publicando na web. Como ganhar dinheiro na internet sem depender de marcas? Será que rola? Listamos aqui alguns modelos alternativos de receitas pra produtores de conteúdo que não usam dinheiro de marca, mas sim o poder de uma audiência engajada. Olha só:
1) Micropagamento
Parece que toda essa conversa começou a ficar mais forte com a popularização dos sistemas de micropagamentos, onde o consumidor paga (via PayPal, por exemplo) um pequeno valor para ter acesso ao conteúdo publicado.
Essa forma de pagamento parece não ter dado certo para “venda” de conteúdo, mas por exemplo, alguém que produziu um material em pdf ou um e.book poderia cobrar um pequeno valor de quem estivesse interessado em fazer download. Funciona bastante pra blogueiros que falam sobre o trade ou sobre um assunto de conhecimento específico, já que seu expertise pode ser empacotado além do formato de post, gerando outros tipos de produtos pagos. Pra blogs, o micropagamento pode funcionar pra cobrar por artigos individuais também. Se você quiser adotar, o PayPal é o sistema mais conhecido e funcional.

Uma iniciativa do tipo que tá dando MUITO certo é o Afreeca, site de streaming de vídeos que bomba na Córeia do Sul e sobre o qual falamos aqui outro dia. Os BJs (Broadcast Jockeys) vão fazendo suas lives e a audiência, em tempo real, vai dando estrelinhas que depois podem ser trocadas por dinheiro. É praticamente um peep show e, fazendo conteúdo diariamente, virou um sustento.
Além disso, no fim do ano passado o Snapchat anunciou o Snapcash, um sistema de micropagamento integrado aplicativo de troca de mensagens… que está se tornando cada vez mais uma plataforma de conteúdo. Em setembro, na VidCon, evento que acontece na Califórnia e reúne criadores de vídeos online, o YouTube anunciou algumas novidades na plataforma, uma delas é a possibilidade dos Youtubers receberem gorjetas de seus fãs, mas essa opção não está ativa ainda no Brasil e não existe previsão de quando estará.
2) Crowdfunding
O financiamento coletivo definitivamente não serve só para projetos pontuais, alguns produtores de conteúdo estão usando a plataforma de crowdfunding para financiar projetos de blog, coberturas feitas por jornalistas independentes ou para séries de vídeos no YouTube.
Exemplo brasileiro da força do financiamento coletivo para a produção de conteúdo, foi o projeto desenvolvido pelo Rafucko, que em uma campanha no Cartase conseguiu bater a meta de R$50 mil e assim financiar o “Talk-show do Rafucko”, uma série de 10 entrevistas com pessoas que ele divulgou durante a campanha.
Um das modalidades do financiamento coletivo são as doações, que meio que se confundem com micropagamentos (já que a pessoa pode doar até 1 real se quiser), como foi o caso do Lugar de Mulher da Clara Averbuck, que usou o Vakinha pra arrecadar dinheiro do público interessado no tema pra colocar o blog no ar. Além disso, o LdM se sustenta através de uma outra plataforma, o Patreon, e hoje em dia está levantando 1400 dólares por mês com ele.

O Patreon funciona como uma plataforma de crowdfunding um pouco diferente. Você tem recompensas que variam de acordo com o valor que investe nos canais que estão em busca de ‘patrões’ pro site. Falamos que é um investimento porque esse valor não é uma doação, também não será feito uma única vez — ao virar ‘patrão’ de um canal, mensalmente vc vai pagar o valor que acha justo pelo conteúdo, a partir de 1 dólar. Segundo o The Guardian, o site recebe mensalmente mais de 1 milhão de dólares, que é distribuído entre músicos, youtubers e outros criadores de conteúdo que usam a plataforma.
Ao pagar por essa assinatura no Patreon, além de ajudar a manter o canal, a pessoa tem acesso a conteúdos adicionais exclusivos e fica mais próximo do criador de conteúdo. O primeiro que eu vi falando sobre essa plataforma foi o Izzy Nobre, que produz conteúdo para blog e também para um canal no Youtube. Hoje, Izzy tem mais de 600 pessoas pagando pelo seus textos e vídeos, gerando um valor mensal de mais ou menos 2,700 dólares, um dinheiro que, de acordo com ele, tá servindo pra ajuda-lo a se formar. Ele fala sobre a experiência no vídeo abaixo:
O Patreon, inclusive, é um dos sites mais usados por vários creators brasileiros pra tranformar o engajamento de sua audiência em sustento: tem o youtuber Canal do Otário (média de 2700 dólares por mês), a galera do AntiCast (com mil doletas), os malucos do La Fenix (levantando 1,4 mil dólares mensais), o podcast 99Vidas (com 2,4 mil por mês)… pensa que com o dólar a 3 reais, esse povo tá conseguindo um dinheirinho bacana pra pagar as contas.
Alguns sites básicos de crowdfunding: Catarse, Benfeitoria, Vakinha, Kickstarter, etc e aqui no “Mapa do Crowdfunding” você encontra alguns sites diferentes de crowdfunding e seus propósitos — Playbook (música), Viabilliza (esporte), Garupa (turismo) etc.
3) Assinatura
Na assinatura, o seu leitor paga um valor fixo pra apoiar o seu projeto de conteúdo mensalmente e você pode ou não fechar o conteúdo só pra assinantes. A Cynara do Socialista Morena entrou nessa onda e acaba de anunciar a possibilidade de assinar o blog dela pagando 5 reais mensais ou 10 reais por ano, via Pay Pal. O conteúdo se mantém aberto, mas os leitores que curtem o que ela fala ajudam a manter o site no ar. E, de acordo com ela, alguns haters também afirmaram que vão assinar. ☺
Uma plataforma nova que surgiu com foco em vídeo é a Voxus TV, iniciativa do grupo MIX. Ela permite que você deixe vídeos abertos mas também conteúdo exclusivo para quem é assinante, o valor dessa assinatura é definido entre o produtor de conteúdo e a equipe Voxus — eles sugerem inicialmente um valor padrão de R$4,90/mês. O Voxus acaba de ser lançado e ainda não tem cases relevantes usando o modelo de assinatura, mas os executivos do site acreditam que esse modelo funciona muito bem em nichos específicios, como culinária por exemplo, e com conteúdo exclusivo pra assinantes.
4) Paywall
O Paywall ("muro de pagamento" numa tradução bem livre) é um modelo adotado principalmente por jornais, que passam a cobrar pela leitura da edição do dia no ambiente online ou matérias feitas no site. Dá pra fechar o conteúdo inteiro ou adotar o modelo poroso, onde o usuário pode ler até x matérias gratuitas por mês. Tem também uma variação que é o “freemium”, onde as matérias básicas são gratuitas, mas o conteúdo mais top e trabalhado é pago. Pros jornais tem funcionado bastante, mas não temos cases de creators online que estão usando esse tipo de pagamento.
Os alemães pensaram em outro formato que mistura o paywall com o Sharewall (quando a pessoa “paga” compartilhando o conteúdo), é o PayOrShare. O leitor tem acesso ao conteúdo e no final escolhe como quer pagar: fazendo um micropagamento ou compartilhando em suas redes.
E na parte de vídeos, tem o case grande do Netshow.me, que é uma plataforma de streaming de vídeos em que as pessoas “comprar um ingresso antes”. Tá servindo bem pra música mas pode ser usado pra qualquer pessoa que vai publicar conteúdo em vídeo. Geralmente os artistas criam seus eventos (de graça) e se apresentam para as câmeras, enquanto os fãs que compraram ingresso para a apresentação assistem ao show, podendo interagir e apoiar enviando gorjetas. Cada apresentação é única, nada fica gravado, tudo é ao vivo.
5) Lojinha
Se você tem uma audiência que te acompanha e curte o que você faz, provavelmente você já virou uma marca que, por sua vez, pode virar produtinhos bacanas a serem vendidos. O exemplo mais prolífico desse modelo é a Nerdstore, dos meninos do Jovem Nerd, que começaram vendendo camisetas com o nerdinho (o mascote do site) e foram diversificando até lançar uma editora, a NerdBooks, com livros dentro do tema que eles falam. Em 2011, a loja faturou 500 mil reais. Em 2014, apesar de não abrir números, Azaghal disse que a Nerdstore faturou o dobro do que o Jovem Nerd (display media, publis, imagem, etc). A coisa tá indo tão bem que ano passado eles se mudaram pra um galpão de 300m2 e compraram até uma empilhadeira (!!!!!!).

Caso você não tenha uma marca grande mas seja reconhecido por fazer uma boa curadoria de conteúdo, que tal fazer o mesmo com produtos? Você pode montar uma loja com produtos que vc acha incrível e recomenda pro seu público. Você vira uma espécie de tastemaker.
Se você não quiser investir em um sistema de loja próprio, pode usar seus próprio canais pra divulgar o produto e então a pessoa pode te pagar usando PayPal ou fazer um depósito na sua conta. O produto você manda pelo correio. Só funciona pra fase inicial, quando você não tem muito volume de vendas. Depois disso esse processo fica muito artesanal pra ser escalado. Outras opções prontas que você pode usar enquanto não tem a sua loja: UOLHost, Wix, Airu, Tanlup, Elo7, Iluria.
6) Links de Afiliados
Vamos supor que você faça um conteúdo que envolva citação de produtos (tipo, blogs de literatura, tecnologia, etc)… que tal, toda vez que você cita-los, incluir um link pra uma loja onde ele é vendido (tipo Submarino, Livraria Cultura, etc) e faturar comissão em cima disso? Essa possibilidade existe e pode ser feita através de redes de afiliados, como Lomadee, UOL, Submarino, Mercado Livre e praticamente todas as lojas online (Amazon, Fnac, Americanas, etc). Se você fala de turismo, tem redes específicas pra esse nicho, como Submarino Viagens e Rental Cars.

O Rodrigo Ghedin, do Manual do Usuário, credita 13% do seu faturamento mensal aos leads que ele gera para lojas. A gente fez um post aqui sobre como gerar leads pro seu blog ou canal e gerar negócio em cima de venda de produtos, dá uma lida. A Pam Gonçalves, do canal de literatura TVGarotait também usa muito bem esse recurso. E os meninos da Rede Geek tem um case muito legal onde zeraram o estoque de sabres de luz de uma loja, vale dar uma olhada em como eles fizeram isso.
E aí, qual eu escolho?
Pode ser que o ideal pra você seja uma combinação desses formatos, por exemplo: você pode usar o Catarse pra financiar uma matéria ou vídeo mais elaborado por mês, usar o Patreon pra bancar o dia-a-dia, fazer uso do micropagamento pra lançar um e.book sobre o tema da sua especialidade ou pra vender uma aula online sobre alguma coisa e ainda vender camisetas com a sua marca.
Vale dar uma estudada em todas as possibilidades e se jogar no que mais faz sentido pra você.
Boa sorte! ☺
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Originally published at youpix.virgula.uol.com.br on March 5, 2015.